domingo, 8 de novembro de 2009

A divisão da Alemanha - PARTE II


Cartaz de propaganda da República Democrática Alemã para comemorar os 25 anos de construção do Muro de Berlim


RFA e RDA: dois caminhos diferentes
De 1949 até o início da década de 70, o desenvolvimento da República Federal da Alemanha foi marcado por uma rápida reconstrução do país, do Estado e das instituições democráticas, pela recuperação econômica impulsionada pelo Plano Marshall e pela estabilidade interna. Na política interna, os esforços concentraram-se em superar a divisão da Alemanha, ou em atenuar suas conseqüências. Na política exterior, a RFA ligou-se estreitamente ao bloco liderado pelos EUA e participou do processo de integração européia nas comunidades que foram surgindo no pós-guerra.
A RDA, por sua vez, filiou-se ao Pacto de Varsóvia. Ainda que a Alemanha comunista não tivesse plena autonomia em relação a Moscou, o chefe de Estado e do partido, Erich Honecker, caracterizou sua versão de "socialismo realmente existente". No Leste Europeu, a República Democrática Alemã era tida como exemplo de um país socialista que conseguiu dar um bom nível de vida à sua população.
No entanto, no avançar dos anos 70, os alemães-orientais perceberam que a meta do Estado de alcançar o nível da RFA não passava de ilusão. Não havia recursos suficientes para financiar a mecanização e automatização da produção e faltavam materiais para a reforma das moradias degradadas. A crise econômica provocada pela alta dos preços do petróleo atingiu plenamente o país. Por mais que se cortassem as importações, as dívidas foram aumentando.
Ao impor o "centralismo democrático" marxista, o partido único SED estabeleceu uma ditadura e militarizou a sociedade desde o jardim-de-infância, além de impor um sistema generalizado de controle e observação de dissidentes em potencial, comandado pelo Serviço de Segurança do Estado, o Stasi.

A era Adenauer (1949–1963) e a integração no Ocidente
Konrad Adenauer, da União Democrata Cristã (CDU), foi eleito primeiro chanceler federal da República Federal da Alemanha em 1949, encabeçando uma coligação dos novos partidos políticos. A "economia social de mercado" introduzida por seu ministro da Economia, Ludwig Erhard, trouxe o progresso e proporcionou um bem-estar até então desconhecido a amplas camadas da população: era o chamado "milagre econômico", que não teria sido possível sem o Plano Marshall.
A estratégia de Adenauer previa estreitos laços com os EUA, entendimento com a França, intensas relações políticas e econômicas com a Europa Ocidental e integração da Alemanha na Aliança Atlântica. Seu objetivo era garantir a existência da RFA, levando Moscou a desistir da Alemanha Oriental, o que abriria caminho para a reunificação.
Em 1950, a Alemanha foi admitida no Conselho da Europa, e em 1952, na Comunidade Européia do Carvão e do Aço. Em 5 de maio de 1955, a RFA deixou de ser considerada território ocupado e pôde criar um Ministério das Relações Exteriores, estabelecer relações diplomáticas com outros países e abrir embaixadas no exterior. Neste mesmo dia, entrou para a Otan, o que possibilitou o rearmamento da Alemanha para cumprir suas funções de defesa no âmbito da Aliança Atlântica. A filiação à Comunidade Econômica Européia a partir de 1º de janeiro de 1958 (Tratados de Roma) foi um outro passo decisivo para sua integração no bloco ocidental.
O Muro de Berlim
A República Federal da Alemanha não reconhecia a RDA, o Estado oriental alemão, considerando-se a única representante dos alemães (Doutrina de Hallstein). Uma crise em Berlim em 1958, quando Kruchev exigiu que os Aliados desocupassem Berlim Ocidental em seis meses, e a posterior construção do Muro de Berlim colocaram em risco a ligação de Berlim Ocidental com a RFA e enfraqueceram Adenauer.
Sinônimo da linha divisória entre os mundos capitalista e socialista, Berlim Ocidental atraía os alemães-orientais pelas liberdades democráticas e pelo brilho de suas vitrines, que simbolizavam o progresso ocidental. De 1949 a 1961, quase 3 milhões de pessoas fugiram da Alemanha comunista para os setores ocidentais de Berlim. Somente em julho de 1961, 30 mil pessoas escaparam.
A RDA não podia admitir que o êxodo continuasse. Na manhã de 13 de agosto de 1961, soldados começaram a construir o Muro de Berlim, demarcando a linha divisória inicialmente com arame farpado, tanques e trincheiras. Nos meses seguintes, foi sendo erguido em concreto armado o muro que marcaria a vida da cidade até 1989. Ao longo dos anos, a fronteira transformou-se numa fortaleza. Como os soldados tivessem ordem de atirar para matar, mais de mil pessoas pagaram com a vida a tentativa de transpô-la.


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