domingo, 8 de novembro de 2009

A divisão da Alemanha - PARTE III


Willy Brandt e a abertura para o Leste

Em janeiro de 1963, a reconciliação com a França atingiu seu auge com a assinatura do Tratado do Eliseu. A integração da Europa prosseguiu com a criação da Comunidade Européia em 8 de abril de 1965. No mesmo ano, a RFA estabeleceu relações diplomáticas com Israel ─ um passo significativo no caminho do entendimento entre os povos, após o genocídio de mais de 5 milhões de judeus durante o nazismo.

O chefe de governo alemão Willy Brandt, no Memorial ao Gueto de Varsóvia (06/12/70)

O chefe de governo alemão Willy Brandt, no Memorial ao Gueto de Varsóvia (06/12/70)


Em 21 de outubro de 1969, assumiu o governo o social-democrata Willy Brandt, em coligação com o Partido Liberal. Ex-combatente da resistência contra Hitler, Brandt cunhou o conceito de Ostpolitik (política de abertura para o Leste), que lhe valeu o Prêmio Nobel da Paz em 1971.

A fim de melhorar as relações com a União Soviética, a Polônia e os países do Pacto de Varsóvia, o governo Brandt assinou os tratados de Moscou e de Varsóvia, em 1970. Em ambos, os signatários afirmavam não ter quaisquer reivindicações territoriais. Frente à Polônia, Bonn confirmou a inviolabilidade da fronteira ao longo dos rios Oder e Neisse. O momento histórico de reconciliação ficou gravado na imagem de Willy Brandt ajoelhado diante do memorial do Gueto de Varsóvia, em dezembro de 1970. A etapa seguinte foi o tratado firmado com a Tchecoslováquia, em 1972.

Paralelamente, Bonn e Berlim Oriental sondavam as possibilidades de um melhor entendimento. Em março de 1970, reuniram-se pela primeira vez os chefes de governo das duas Alemanhas, Willy Brandt e Willi Stoph, em Erfurt (RDA), seguindo-se um segundo encontro, em maio, em Kassel (RFA). O Tratado das Quatro Potências sobre Berlim, assinado por EUA, União Soviética, França e Reino Unido em 1971, estabeleceu que os setores ocidentais de Berlim não eram parte integrante da República Federal da Alemanha. Esta, porém, podia representá-los. Este tratado foi condição para que o Parlamento de Bonn ratificasse os demais, assinados com Moscou, Varsóvia e Praga.

Um dos primeiros atos de Willy Brandt após sua reeleição em 1972 foi concluir o Tratado de Base entre a RFA e a RDA, assinado antes do fim do ano. Nele, os dois Estados abdicavam do uso da violência e reconheciam suas fronteiras, prometendo respeitar a autonomia um do outro. "Dois Estados alemães numa só nação" ─ com a fórmula cunhada por Brandt, consumava-se uma grande mudança na política entre as duas Alemanhas. Aos poucos, a coexistência pacífica deveria abrir caminho para a cooperação. Em setembro de 1973, RFA e RDA foram admitidas juntamente nas Nações Unidas.

Helmut Schmidt e os foguetes

Willy Brandt renunciou em 7 de maio de 1974, após a descoberta de um espião da RDA na Chancelaria Federal. O novo chefe de governo, Helmut Schmidt, deu continuidade à coalizão entre o Partido Social Democrata e o Partido Liberal, concentrando-se inicialmente nos problemas econômicos, já que o desemprego ultrapassara, pela primeira vez no pós-guerra, a marca de 1 milhão. Atentados terroristas de esquerda e o surgimento da Fração do Exército Vermelho (RAF, ou grupo Baader-Meinhof) dominaram a política interna e os debates sobre medidas judiciais para conter o terrorismo.

No contexto internacional, a invasão do Afeganistão por tropas soviéticas e a lei marcial na Polônia colocaram um fim a uma década de distensão na política. A instalação de mísseis de médio alcance na União Soviética levou à Dupla Resolução da Otan, de dezembro de 1979. Isso provocou grandes controvérsias na República Federal da Alemanha, culminando no surgimento de um movimento pacifista contra o estacionamento de mísseis norte-americanos em território alemão.

Ao defender o rearmamento da Otan como forma de fortalecer a defesa do país, além de enfraquecido porque o Partido Liberal abandonara a coalizão, Helmut Schmidt acabou perdendo o apoio de parte da social-democracia.

A era Kohl

O chanceler federal Helmut Kohl (dir.) recebe o chefe de Estado e de governo da Alemanha Oriental, Erich Honecker, em Bonn (07/09/87)

O chanceler federal Helmut Kohl (dir.) recebe o chefe de Estado e de governo da Alemanha Oriental, Erich Honecker, em Bonn (07/09/87)



Seu sucessor, Helmut Kohl, liderou a partir de 1982 uma coalizão da União Democrata Cristã (CDU) e União Social Cristã (CSU) com o Partido Liberal (FDP), mantendo a continuidade na política de segurança do governo alemão. Em novembro de 1983, o Parlamento alemão aprovou a resolução do rearmamento. No entanto, os Pershing e mísseis de cruzeiro estacionados na RFA logo foram retirados, graças ao novo diálogo sobre desarmamento, iniciado em meados dos anos 80.

Helmut Kohl bateu o recorde de Adenauer no cargo de chanceler federal, permanecendo 16 anos no poder. Sua política de saneamento das finanças públicas teve como resultado anos seguidos de crescimento econômico, que culminaram com um aumento de 5,5% do PIB em 1990, o ano da reunificação alemã. O desemprego ficou em torno de 2 milhões de pessoas, apesar do grande número de empregos criados.

Para surpresa de muitos, o governo Kohl deu continuidade à política de aproximação com a Alemanha Oriental e o bloco Leste. A perestroika e a glasnost, as grandes reformas introduzidas por Mikhail Gorbatchov, em breve mudariam a face do mundo.

O chefe de Estado da RDA, Erich Honecker, fez uma visita oficial a Bonn em setembro de 1987. No mesmo ano, quando Berlim festejava 750 anos de sua fundação, o presidente norte-americano Ronald Reagan visitou a cidade dividida. "Sr. Gorbatchov, abra esse portão, derrube esse muro!", conclamou Reagan. O que muitos desejavam, mas parecia não passar de um sonho, acabou acontecendo em novembro de 1989.

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