segunda-feira, 5 de julho de 2010

Dez mulheres são mortas por dia no País

Quanto mais machista a cultura local, maior a violência contra a mulher



Dom, 04 de Julho de 2010 15:12
http://www.agenciapatriciagalvao.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=489&catid=43

(O Estado de S. Paulo) Em dez anos, dez mulheres foram assassinadas por dia no Brasil, média que fica acima do padrão internacional. A motivação geralmente é passional. Estes são alguns dos resultados do estudo intitulado Mapa da Violência no Brasil 2010, realizado pelo Instituto Zangari, com base no banco de dados do Sistema Único de Saúde (DataSUS).

"Entre 1997 e 2007, 41.532 mulheres morreram vítimas de homicídio – índice de 4,2 assassinadas por 100 mil habitantes. Elas morrem em número e proporção bem mais baixos do que os homens (92% das vítimas), mas o nível de assassinato feminino no Brasil fica acima do padrão internacional", diz a reportagem publicado por O Estado de S. Paulo.

Os números mostram que as taxas de assassinatos femininos no Brasil são mais altas do que as da maioria dos países europeus, cujos índices não ultrapassam 0,5 caso por 100 mil habitantes, mas ficam abaixo de nações que lideram a lista, como África do Sul (25 por 100 mil habitantes) e Colômbia (7,8 por 100 mil).

“Quanto mais machista a cultura local, maior tende a ser a violência contra a mulher”, afirmou a psicóloga Paula Licursi Prates, doutoranda na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, que realiza estudos sobre homens autores de violência.

A matéria comenta que "ainda são raros os estudos de casos que analisam as motivações de assassinos que matam mulheres. De maneira geral, homens se matam por temas urbanos como tráfico de drogas e desordem territorial e os crimes ocorrem principalmente nas grandes cidades. Mulheres são mortas por questões domésticas em municípios de diferentes portes".

“No caso das mulheres, os assassinos são atuais ou antigos maridos, namorados ou companheiros, inconformados em perder o domínio sobre uma relação que acreditam ter o direito de controlar”, explica Wânia Pasinato, pesquisadora do Núcleo de Estudo da Violência da USP.

"Em um estudo das motivações de 23 assassinatos contra mulheres ocorridos nos cinco primeiros meses deste ano e investigados pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa de São Paulo (DHPP), em 25% dos casos o motivo foi qualificado como torpe. São casos como negativas de fazer sexo ou de manter a relação. Em 50% das ocorrências, o motivo foi qualificado como fútil, como casos de discussões domésticas. Houve 10% de mortes por motivos passionais, ligados a ciúmes, por exemplo, e 10% relacionado ao uso ou à venda de drogas."

2 comentários:

Pedra do Sertão disse...

Olá, Gilmara,

Quão preocupante são os dados e mais ainda a situação de mulheres que vivem no limite entre a violência e a miséria humana! Uma pena...mesmo só possuindo a "palavra" como forma de atuação, acredito que se "silenciarmos", a situação fica pior.
Abraço

Anônimo disse...

Pode parecer simplismo, mas acredito que morram assassinados mais homens que mulheres. Quanto mais separarmos as mazelas da humanidade pelo gênero das pessoas mais aumentaremos o abismo entre estas. Violência é violência, independente de gênero. Quando o sujeito machista declarado e impulsivo violento é ameaçado com a Lei Maria da Penha, ele refreia o ato no momento e passa a premeditar o que fará para ferir o outro sem ser pego. O problema está tratado de maneira errada, não está contemplada a causa e sim o efeito (como tudo no Brasil), e estatísticas simplistas só servem para aprofundar o rancor do sujeito violento. Devemos falar, denunciar, peitar mesmo as pessoas que se excedem, mas isso é pouco. A raiz do problema deve ser atingida, ou seja, o buraco é mais embaixo.