sábado, 17 de julho de 2010

This is not a love song: Valsa com Bashir

Valsa com Bashir não é uma canção de amor


Não se impressione com o clichê deste trailer abaixo, quase uma versão de video clip.  O fiilme apresenta apenas um lado da questão - e seu argumento é bem subjetivo... De qualquer maneira, o filme é interessante. Ari Folman mostra a conivência e a função dos soldados israelenses no massacre de palestinos por libaneses nos campos de Sabra e Chatila em 1982. 



Por Maurício Stycer
http://colunistas.ig.com.br/mauriciostycer/2009/04/07/valsa-com-bashir-em-busca-da-memoria-da-guerra/

Além da capacidade de rir de si próprio, outra característica que diferencia os grandes homens é a de refletir sobre os próprios erros. Valorizo ainda mais a auto-ironia e a autocrítica em situações-limite, como as que envolvem pessoas queridas, a vida profissional e a pátria.

Faço esse preâmbulo (nariz-de-cera, dizem os jornalistas) para falar do filme “Valsa com Bashir”, do israelense Ari Folman. Durante o período em que serviu o Exército, Folman foi enviado para o Líbano, invadido por Israel em 1982. Foi uma guerra suja, como todas, na qual as tropas israelenses contavam com o apoio, e apoiavam, as milícias cristãs, em oposição às diferentes milícias xiitas, apoiadas por Síria e Irã.

A invasão israelense ficou marcada pelo massacre de Sabra e Chatila, campos de refugiados palestinos, localizados a oeste de Beirute. Em represália ao assassinato de seu líder, Bashir Gemayel, milícias cristãs invadiram os campos e mataram centenas de crianças, mulheres e idosos entre os dias 16 e 18 de setembro de 1982. O papel do Exército de Israel no episódio nunca foi claramente determinado, mas não há dúvidas sobre a sua grave omissão e ajuda indireta, cuidando da entrada e iluminando os campos à noite.

O cineasta Ari Folman se dedica, em “Valsa com Bashir”, a reconstituir os seus dias no Líbano – um tempo traumático, apagado de sua memória. Para isso, ele entrevista colegas que serviram juntos na guerra, ouve amigos, conversa com um psicanalista, enfim, tenta entender o que aconteceu e o que ele fez lá.

Filmadas, as entrevistas foram transformadas em imagens de animação, dando ao filme um ar de “graphic novel”. Dizem os especialistas que “Valsa com Bashir” inventou um novo gênero, ou subgênero, o documentário de animação. É impressionante a força e o impacto do resultado.

Folman não se preocupa em ouvir os muitos lados envolvidos na guerra (as milícias, os civis, os políticos) – apenas os israelenses com quem conviveu no período. Seu esforço, ao resgatar a memória daqueles dias, é menos de denúncia do que auto-conhecimento. Não por acaso, “Valsa com Bashir” foi criticado por israelenses tanto à esquerda quanto à direita do espectro político.

Lançado em 2008, o filme vem colecionando prêmios importantes em Israel, em toda a Europa e nos Estados Unidos (para a lista completa, clique aqui) . Estreou no Brasil no último dia 3 [esse artigo foi escrito em abril de 2009] e, a julgar pelo número de pessoas presentes na sessão das 20hs de domingo, não vai sobreviver muito tempo em cartaz. Fica aqui a dica.


Quem foi Bashir?
http://pt.wikipedia.org/wiki/Bashir_Gemayel

Bachir Gemayel (10 de novembro de 1947 - 14 de setembro de 1982) também Bashir Gemayel, Sheikh Bachir Gemayel ou Sheikh Bashir Gemayel (em árabe: بشير الجميّل) foi um líder miliciano e político do Líbano. Ele foi eleito presidente do país em 1982 e assassinado dias antes de assumir o poder, durante a Guerra Civil Libanesa.

Filho de Pierre Gemayel, Bashir se tornou um dos principais comandantes das Falanges Libanesas, uma milícia cristã de extrema-direita, apoiada por Israel, e que lutava contra os muçulmanos nacionalistas libaneses e os militantes palestinos. Ele liderou várias campanhas militares contra as tropas sírias. Eleito presidente em 1982 com o apoio de Israel, Bashir morreu aos 35 anos vítima da explosão de uma bomba colocada na sede das Falanges, em Achrafieh, distrito cristão de Beirute.

Conta-se que os massacres de Sabra e Shatila, região de refugiados palestinos sob proteção do exército israelense no ano de 1982, teve por motivação o revide ao assassinato de Bashir, aspecto retratado no filme "Valsa com Bashir" (2008), escrito e dirigido pelo israelense Ari Folman.

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