sábado, 25 de setembro de 2010

Licença para matar (ou porque os EUA não são um país democrático)

Pois é, mais uma vez os Estados Unidos dão prova de que usa uma faca de dois gumes. Dessa vez num caso muito parecido com o da iraniana Sakineh que a mídia diz ter sido  condenada à  morte por apedrejamento. Analisando bem os dois casos,  nos Estados Unidos  o Estado da Virgínia já cometeu a pena capital contra Tereza Lewis, que a mídia diz ela teria problemas mentais. No Irã, Sakineh ainda aguarda um desfecho para o seu problema. A meu ver,  alguém que comete um crime deve pagar se for imputável (ou seja, capaz de pagar pelo crime pois tem entendimento daquilo que cometeu). Todavia, sou contra a pena de morte.  Tanto no caso Tereza quanto no caso Sakineh, acredito que os paises devem lidar com a pena de morte à sua própria maneira, sem que outros países - em defesa de seus próprios interesses comerciais e bélicos - usem a mídia e seus falso discurso humanitário como escudo para invadir, pilhar e enfraquecer as forças que mantém uma sociedade política, por mais esdrúxula que pareçam seus princípios.  


EUA exige do Irã aquilo que não podem cumprir


Publicado em 25/09/2010
http://www.diretodaredacao.com/noticia/licenca-para-matar

A sociedade americana, ou pelo menos parte dela, a que vive no Estado da Virginia,  um dos 37 Estados onde vigora a pena de morte, fez justiça com as próprias mãos na última quinta-feira ao aplicar a injeção letal em Tereza Lewis, de 41 anos, que confessou ter planejado o assassinato do marido e do enteado em 2002, sob o pretexto de embolsar o dinheiro de um seguro de vida.

Como sempre acontece nessas ocasiões,  o “espetáculo” só não é mostrado ao vivo e à cores, mas tudo que cerca a execução daquele ser humano que se quer banir do convivio social é exibido com riqueza de detalhes.   O local da execução, a cela assepticamente limpa,  a cama onde o condenado será amarado por grossas correias e receberá a dose letal de uma combinação de drogas anestésicas,  e o vidro atrás do qual testemunhas especialmente convidadas assistirão ao sacrifício imposto pela sociedade a quem cometeu um crime.

Nos EUA,  onde a pena de morte ficou algum tempo desativada enquanto  a Suprema Corte  examinava a  “legalidade”  do uso da injeção intravenosa,  já vigoraram o enforcamento, a  cadeira elétrica, a câmara de gás e até o fuzilamento.  No fim de algum tempo, especialmente depois que um condenado foi queimado vivo numa cadeira elétrica,  médicos e juristas optaram pela injeção considerando que era uma maneira de matar causando "menos sofrimento" ao executado.

De maneira suave ou não,  a morte de uma pessoa, por pior que tenha sido seu crime, é sempre uma demonstração de crueldade. É quando a sociedade se iguala ao criminoso numa espécie de olho por olho, dente por dente.

Particularmente sou contrário à pena de morte por vários motivos, mas principalmente pelo argumento acima,  pela maneira fria e calculista como a sociedade arma o carrasco do instrumental que vai tirar a vida do condenado em poucos  minutos.

Sei que a coluna vai receber inúmeros comentários, certamente os  favoráveis à pena de  morte  serão maioria, sobretudo daqueles leitores que já tiveram um parente ou amigo assassinado de maneira brutal, e  isso não é difícil de se encontrar na maior parte da população brasileira, que convive com índices de violência que estão entre os maiores do mundo.

No caso de Teresa Lewis, que teve o pedido de clemência recusado pelo governador da Virginia,  e em última instância pela Suprema Corte, seus advogados argumentaram que foi o caso típico do fracasso da pena de morte.  Teresa  tinha problemas de aprendizado, alguma coisa parecida com um retardo mental. E só não escapou da execução porque seu QI ficou em 72. Tivesse ela 70 ou menos estaria entre os inimputáveis, conforme a legislação americana.

Quem tirou proveito do episódio foi o presidente do Irã que coincidentemente estava nos EUA na quinta-feira para a Assembléia-Geral da ONU. Ele deu uma cutucada na mídia ocidental que, segundo ele,  só se interessa pelo caso de Sakineh, a iraniana condenada à morte por apedrejamento, e esquece de olhar o próprio quintal, onde os EUA executaram uma mulher com probemas mentais.

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