quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Desafios brasileiros: aumentar a produção e melhorar a distribuição de renda



 Samuel Pinheiro Guimarães à frente da Secretaria de Assuntos Estratégicos


24 de novembro de 2010
http://www.sae.gov.br/site/?p=4490

Aumentar a produção e melhorar a distribuição de renda são os maiores desafios do Brasil para alcançar o desenvolvimento. Foi o que afirmou hoje o ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Samuel Pinheiro Guimarães, durante a abertura da 1ª Conferência do Desenvolvimento (Code), evento promovido pelo Ipea.

A Conferência, que termina na sexta-feira e terá nove painéis temáticos sobre desenvolvimento, além de 88 oficinas e 50 lançamentos de livros, conta com a participação de conselheiros de orientação do Ipea, diretores e técnicos de planejamento e pesquisa do Instituto, além de acadêmicos e autoridades de todas as regiões do País, que irão discutir planejamento e estratégias de desenvolvimento.

Samuel Pinheiro Guimarães disse que a questão do desenvolvimento é relativa. “Nenhum país é subdesenvolvido sozinho. Ele o é em relação a outras sociedades. Mas há o subdesenvolvimento absoluto. O Brasil é subdesenvolvido e, não se ter a consciência de que somos subdesenvolvidos é uma questão grave”, afirmou. 

A renda per capita brasileira, muito inferior a de outros países com a mesma dimensão do Brasil, também foi destacada pelo ministro da SAE. De acordo com ele, o acesso à saúde, à educação e ao saneamento básico, a desintegração do sistema de transportes e de energia são indicadores de subdesenvolvimento. 

“Muito se tem feito para melhorar esses indicadores, mas ainda há desafios a enfrentar para vencer o subdesenvolvimento”, disse. Segundo o ministro, para se tornar um país desenvolvido, o Brasil precisa melhorar os indicadores, além de reduzir a distância que o separa de outras sociedades. 

Um dos caminhos, destacou ele, é o aumento da produção, tanto de bens físicos quanto de bens imateriais, como o acesso à educação, por exemplo. O outro é melhorar a distribuição de renda. “Aqui estão incluídos todos os programas sociais, mas há muitas reformas de base, como se chamava antigamente, nas áreas urbana, agrária e do capital, que vão modificar verdadeiramente a estrutura da distribuição de renda”, explicou. 

Para o ministro da SAE, o desenvolvimento não pode ser resultado da exploração predatória de recursos, principalmente humanos. Nesse sentido, é preciso fortalecer o conceito de sociedade democrática, em que a sociedade participa, não só da escolha de seus representantes, mas da fiscalização de sua atuação em todos os Poderes. 

A importância do planejamento para buscar vencer o subdesenvolvimento, tanto relativo quanto absoluto, também foi ressaltada por Samuel Pinheiro Guimarães. “Nos países altamente desenvolvidos, a ideia de planejamento é rejeitada, mas nos países subdesenvolvidos, a necessidade de se planejar é absoluta”, afirmou. 

Segundo ele, o planejamento, por um lado, identifica os gargalos e obstáculos do sistema econômico e orienta os investimentos do Estado; por outro, estabelece metas específicas. “Estabelecer objetivos de desenvolvimento, em termos de taxa, é igualmente necessário. Desta forma, podemos verificar, a cada ano, se a diferença de renda que nos separa dos países altamente desenvolvidos está aumentando ou diminuindo”. 

Pinheiro Guimarães acrescentou que o estabelecimento de uma aspiração de desenvolvimento a uma certa taxa também induz o setor privado, que investirá mais ou menos na medida em que a expectativa de crescimento do Brasil for alta ou baixa. 

Durante os três dias da Conferência, serão discutidos sete eixos temáticos do desenvolvimento definidos pelo Ipea: inserção internacional soberana; macroeconomia para o desenvolvimento; fortalecimento do Estado, das instituições e da democracia; estrutura tecnoprodutiva integrada e regionalmente articulada; infraestrutura econômica, social e urbana; proteção social, garantia de direitos e geração de oportunidades; e sustentabilidade ambiental.

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