quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Filmes do mês: A Trilogia de Apu (1955/59)



Quando vejo uma obra de arte como a Trilogia de Apu, sinto verdadeira pena daqueles que estão vivendo a escravidão do sistema blockbuster... Dói-me no mais profundo do coração ver as pessoas saindo de casa, indo ao shopping mais próximo e dando seu dinheiro às super-produções do cinema comercial que, em lugar de entretenimento, apenas vendem seus produtos: comédias românticas  previsíveis, geralmente com  roteiros fracos e péssimos atores ou filmes que incentivam a violência, pois  não passam de  uma vitrine dessa ideologia, em que se vendem armas ao mesmo tempo em que  apresentam às pessoas um delírio de teorias simplórias - por exemplo, que vivemos num mundo dos mocinhos contra bandidos. Ao contrário de tudo isso, na Trilogia de Apu, além da apresentação de uma linda história sobre seres humanos verdadeiros, o filme traz a trilha sonora de Ravi Shankar,  que  é divina. É um filme para emocionar qualquer ser humano, mas não serei hipócrita:  recomendo-o apenas àquelas pessoas que têm ainda alguma chance de salvação  e  àquelas  que, há muito, não aceitam  uma das regras desse mundo de ignóbeis: pagar caro para ostentar a corrente da escravidão em torno do próprio pescoço.  

 
Uma obra-prima das mais bonitas que vi!


Sinopse da Trilogia de Apu

Considerado o grande mestre do cinema da Índia, Satyajit Ray é um desses nomes que figuram em todos os compêndios de história do cinema por méritos próprios. Premiado em Berlim, Cannes, Veneza e ganhador de um Oscar honorífico no ano de sua morte, 1992, sua carreira se extendeu durante 5 décadas, porém, o ponto culminante é a famosa Trilogia de Apu, rodada entre 1955 e 1959. A música é de Ravi Shankar.

A Canção da Estrada (Pather Panchali)

Uma das obra-primas do cinema mundial, incompreensivelmente inédita no Brasil e nas Américas. Este filme foi a estreia espetacular de Satyajit Ray. Recuperada a finais dos anos 90, pois um incêndio destruiu os negativos originais, esta é a primeira fita, que deu origem a TRILOGIA DE APU. Nele se narra a comovente história de uma família de Bengali perseguida pela má sorte. O pai, Harihara, é um sacerdote mundano, curandeiro, sonhador e poeta. Sabajaya, a mãe trabalha para alimentar a uma família, que recebe com alegria e esperança a chegada de um novo filho, Apu.

O Invencível (Aparajito)

APARAJITO, como os outros títulos da Trilogia de Apu, é também inédito nas Américas, mas que desde sua estréia nunca deixou de aparecer entre os Cem Melhores Filmes da História. Recuperada nos finais dos anos 90, pois um incêndio também destruiu os negativos originais, este filme foi realizado por Satyajit Ray por causa do sucesso de Pather Panchali (A Canção da Estrada) e mostra a juventude de Apu em Benaré, seu desejo de independer-se e estudar em Calcutá, para poder levar uma vida diferente da que havia conhecido com seus pais.

O Mundo de Apu (Apur Sansar)

Com APUR SANSAR (O Mundo de Apu), Satyajit Ray concluiu a Trilogia de Apu e assim criou a melhor e mais bela trilogia da História do Cinema. Apu logrou tragicamente sua ânsia de independência e sente reforçada sua ânsia de conhecimento. Os desejos de escrever, sonhar e amar parecem cumprir-se ao conhecer Aparna e contrair matrimônio. Recuperada a finais dos anos 90, depois do incêndio que destruiu os negativos originais, é uma obra-prima do cinema mundial, e uma das mais ternas e sensíveis histórias de amor, que, até a presente edição, permanecia inédita nas Américas.

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