terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Liu Xiaobo merece o prêmio Nobel da Paz?


Todas as vezes que leio certas ditas importantes revistas e sites ocidentais como, por exemplo, a revista The Economist tenho mais e mais clareza sobre uma coisa:  há muitos países por esses lados de cá, mas que dentre eles não posso incluir o Brasil, que estão simplesmente tremendo de medo da próxima potência mundial, a China! 

A estratégia ideológica desses veículos de comunicação é  terrorista: difundir na população ocidental um medo alienante e terrível sobre esse grande mistério de possíveis crueldades indizíveis que parece ser a  China.  Até a tipografia, que o Ocidente herdou daquele povo milenar, hoje funciona para propagar  informações - algumas sérias sobre violações dos Direitos Humanos e outras meramente folclóricas como o fato deles comerem carne de cachorro - que todavia apenas funcionam para induzir as pessoas a interpretações preconceituosas sobre dados e costumes que pouco conhecemos.  

Para alcançar seus objetivos, a grande mídia usa uma tática simplória: fomentar no imaginário ocidental que a China, a qualquer momento, vai criar uma condição perfeita para um conflito com seus vizinhos, inclusive aliados no BRIC como a Índia. Ou que a mão da China está pesando negativamente sobre a Coréia do Norte, ou que  a China vai retaliar o comércio com o Japão, depois do episódio da prisão de um marinheiro chinês em águas disputadas pelos dois países... Enfim, vive-se uma verdadeira Cruzada - Certos Países Ocidentais x China! 

Ouso dizer que, dentre todo o tipo de arma usada pelo Ocidente, até o Prêmio Nobel da Paz também tem funcionado como escudo moral... mas não sei até quando. O tiro pela culatra da escolha de Barack Obama no ano passado me pareceu simbólica e lançou uma poeira de críticas internacionais sobre o prêmio, o que apagou um pouco seu já desbotado brilho. Agora  premiaram esse jornalista desconhecido, o chinês Liu Xiaobao, cujas manifestações ideológicas são pró-Ocidente, inclusive  colonialistas e favoráveis às guerras promovidas pelos EUA. Não sei por quanto tempo o mundo se enganará  com essa ficção de Nobel da Paz.

Fatalmente, também não acredito que o time dos Certos Países do Ocidente consiga vencer a China.  Talvez demore dez ou vinte anos, mas não haverár forças para espernear por muito tempo e logo a  China despontará em primeiro lugar na economia mundial. Até lá, acho melhor vocês colocarem seus filhos para aprender a falar mandarim!


Nobel da Paz: tentando explodir a próxima potência mundial!

O governo chinês cometeu a bobagem de transformar Liu Xiaobo em mártir Ele nunca deveria ter sido preso, mas os políticos que compõem o comitê do Nobel, liderados por Thorbjorn Jagland, ex-primeiro ministro trabalhista, quiseram dar uma lição a China e, para isso, fecharam os olhos para os pontos de vista de seu herói. En tre outras coisas, Xiaobo defende as guerras da Coréia, do Vietnã e do Iraque e sustenta que a tragédia da China é não ter sido colonizada ao menos durante 300 anos por uma potência ocidentral ou pelo Japão. O artigo é de Tariq Ali.

O vencedor do prêmio Nobel da Paz de 2010 intensificou a guerra no Afeganistão poucas semanas depois de receber a honraria. O prêmio surpreendeu ao próprio Obama. Este ano o governo chinês cometeu a bobagem de transformar em mártir o ex-presidente do Independent Chinese PEN Centre e neocon Liu Xiaobo. Ele nunca deveria ter sido preso, mas os políticos noruegueses que compõem o comitê, liderados por Thorbjorn Jagland, ex-primeiro ministro trabalhista, quiseram dar uma lição a China e, para isso, fecharam os olhos para os pontos de vista de seu herói.

Ou talvez não tenham feito exatamente isso, uma vez que suas perspectivas não são muito diferentes. O comitê pensou em conceder a Bush e Blair o prêmio da paz conjunto por invadir o Iraque, mas o protesto público obrigou a que desistissem da ideia.

Para constar, registre-se que Liu Xiaobo declarou publicamente que, na sua opinião:

(a) A tragédia da China é não ter sido colonizada ao menos durante 300 anos por uma potência ocidental ou pelo Japão. Aparentemente isso teria civilizado a China para sempre;

(b) As guerras da Coréia e do Vietnã empreendidas pelos Estados Unidos foram guerras contra o totalitarismo e aumentaram a "credibilidade moral" de Washington;

(c) Bush fez bem em ir à guerra no Iraque, e as críticas do senador Kerry eram "propagadoras de calúnias";

(d) Afeganistão? Aqui não há nenhuma surpresa: apoio completo à guerra da OTAN.

Ele tem todo o direito a ter essas opiniões, mas, considerando as mesmas, deveria receber um prêmio da Paz?

O jurista norueguês Fredrik Heffermehl disse que o comitê infringe a vontade e o testamento deixados pelo inventor da dinamite, cuja fortuna financia os fundos para os prêmios:

"O comitê do Nobel não recebeu o dinheiro do prêmio para uso livre, mas sim foi encarregado de outorgá-lo a um elemento fundamental no processo de paz, rompendo o círculo vicioso da corrida armamentista e dos jogos do poder militar. Deste ponto de vista, o Nobel de 2010 é d enovo um prêmio ilegítimo outorgado por um comitê ilegítimo".

(*) Tariq Ali é jornalista, escritor e membro do conselho editorial de Sin Permiso. Seu último livro publicado é "The Protocols of the Elders of Sodom: And Other Essays", publicado pela editora Verso de Londres. Tradução para www.sinpermiso.info: Daniel Raventós. Tradução do espanhol para o português: Katarina Peixoto.

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