terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Marco Aurélio Garcia: reconhecimentos da Palestina refletem convergência na América Latina



http://twitter.com/operamundi
http://www.facebook.com/pages/Opera-Mundi/182895504119
http://operamundi.uol.com.br/entrevistas_ver.php?idConteudo=140

O reconhecimento do Estado palestino pelo Chile, na sexta-feira passada (7/1), confirmou a onda sul-americana que se seguiu à decisão brasileira, em 3 de dezembro. Agora, já são oito os países no continente que tratam a Palestina como país oficialmente. Além de Argentina, Bolívia, Equador e Chile, que anunciaram o reconhecimento nas semanas seguintes ao do Brasil, espera-se que o Uruguai e o Paraguai façam o mesmo em 2011.

Para o assessor especial da presidência para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia - confirmado no cargo após oito anos de trabalho com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva -, as razões da iniciativa brasileira são a esperança de um reforço no processo de paz e o reconhecimento da Palestina terá impacto sobre a integração latino-americana. Segundo ele, a série de reconhecimentos refletem uma convergência de pontos de vista dos países da América Latina sobre questões de política externa. O próximo passo, adianta Garcia, será dado durante a reunião entre países árabes e latino-americanos organizada em fevereiro, em Lima, no Peru.


O Brasil surpreendeu o mundo ao reconhecer a existência do Estado palestino nas fronteiras de 1967, no início de dezembro. Qual foi a razão dessa iniciativa e do momento escolhido?
Esta não é uma decisão recente. O governo já queria reconhecer a existência do Estado palestino nas fronteiras de 1967 há muito tempo. Mas esperamos para ver o andamento das negociações entre israelenses e palestinos. Percebendo que o processo estava paralisado, o ex-presidente Lula achou que era importante fazer este anúncio. Escolher o fim do mandato é também simbólico, mostra a importância do gesto. Aliás, quero lembrar que o último ato oficial de Lula como presidente foi um encontro com Mahmoud Abbas, o presidente da ANP (Autoridade Nacional Palestina). O objetivo é dar um impulso às negociações. E está dando certo: Argentina, Bolívia, Equador e Chile seguiram os passos do governo brasileiro reconhecendo o Estado palestino.

Foi uma decisão conjunta entre os países latino-americanos?
Não foi. Claro que houve diálogos prévios sobre o tema. Mas não houve nenhuma decisão conjunta. Cada país tomou sua decisão sozinho. A onda de reconhecimentos por países da América Latina, porém, demonstra a coincidência de pontos de vista sobre uma questão de política internacional importante, talvez a mais importante do mundo. A América Latina está começando a perceber que, para ter peso num mundo multipolar, a integração física, energética, e até uma política de defesa comum não são suficientes. Precisa-se também de uma convergência sobre questões de política externa. Este já foi o caso durante a guerra lançada pelos EUA contra o Iraque, em 2003, quando o México e o Chile, então membros do Conselho de Segurança, votaram contra o ataque, representando a opinião da região.

Qual é o peso da América Latina nas negociações no Oriente Médio?
Falando da Palestina, é uma decisão importante: não é uma simples declaração, é o reconhecimento de um Estado. Isso implica concretamente a criação de embaixadas. O Brasil será o primeiro país ocidental onde a Palestina construirá uma embaixada. A pedra fundamental da obra, que deve ser iniciada ainda este ano, foi lançada no dia 31 de dezembro por Mahmoud Abbas. Além disso, o encontro entre países árabes e latino-americanos em Lima, em fevereiro, deverá permitir um fortalecimento deste processo.

Pode-se esperar muito dessa reunião?
Isso vai depender principalmente dos países árabes, quantos deles serão presentes. Pela nossa parte, a presidente Dilma Rousseff enfatizou no discurso de posse que considera uma prioridade o aprofundamento das relações com os países árabes e africanos.

O senhor não teme que este reconhecimento seja percebido como um gesto de “confronto” em relação a Israel ou aos EUA?
Nada disso. A nossa decisão deve ser interpretada como a convicção de que devemos passar para outro nível nas negociações. O jeito como o qual as discussões foram encaradas até agora não funciona. Não dá para continuar na paralisação.

Este reconhecimento pode também ser interpretado como o último gesto da política externa brasileira do presidente Lula. O senhor considera que, com Dilma, o empenho na região será o mesmo?
Eu acho que o gesto do ex-presidente Lula foi um presente para a presidente Dilma. Quando ela se reuniu com Mahmoud Abbas após a posse, ela já reiterou a vontade do Brasil de reforçar a cooperação com a Palestina. O Brasil continuará a tentar ajudar na busca pela paz no Oriente Médio.

Um comentário:

inaldo disse...

Se a primeira impressão é a que fica.Achei muito bonito sua página de blog e com conteúdo bastante diversificado. Valeu

Inaldo Matias