domingo, 23 de janeiro de 2011

O PIG não está interessado em desvendar enigmas...


 "Decifra-me ou te devoro"

23 de janeiro de 2011
Gilmara Benevides

Eis um sentimento compartilhado por muitos brasileiros e brasileiras atualmente: o orgulho de haver eleito, pela primeira vez na história, uma mulher para a Presidência da República Federativa do Brasil. Porém, ainda que haja um contentamento verdadeiramente popular neste evento, as empresas de mídia que temos aqui - elitistas e ocupadas apenas em defender seus próprios negócios - estão sempre a ponto de estragar nossas comemorações e esperanças. 

Sem surpresas, afinal desde 1500 convivemos com interesses estrangeiros e mesmo nacionais que não estão comprometidos senão com seus grupos políticos. Esses grupos sempre existiram e influenciaram no Brasil, desde o tempo em que ainda éramos embriões no período colonial;  ou depois, quando nos tornamos fetos no Império e jamais deram uma trégua, sequer quando éramos recém-nascidos, na fase pós-Independência da República. 

Todavia, como cientista social, ouso dizer que após 511 anos de existência o Brasil enfim está chegando à maturidade ao longo deste processo republicano democrático. E sabemos que, para alcançar êxito ainda teremos que fortalecer nossas convicções nas instituições públicas, políticas e judiciárias. Talvez assim não tenhamos mais que conviver com os abusos de certos interesses. 

Como já havia ensejado no início deste texto, por exemplo, os abusos das grandes empresas midiáticas no país - elas não têm freios. No Brasil, as empresas da grande mídia, popularmente chamadas de PIG (Partido da Imprensa Golpista vide http://pt.wikipedia.org/wiki/Partido_da_Imprensa_Golpista) são o que há de mais nocivo porque deixam de informar para distorcer fatos interessantes e muitos deles relevantes como fato social.  

O PIG brinca com os elementos mais caros da construção de nossa identidade. No fundo, isso apenas reflete o profundo preconceito sócio-cultural de uma pequena elite, instalada principalmente na região sudeste do país, atrelada a interesses de grupos transnacionais, cujos negócios não estão identificados com aqueles que formam os valores sócio-culturais brasileiros. Por isso, causa-lhes profundo estranhamento o fato de que esses mesmos valores sejam tão atrativos a outros países, acima de tudo à Europa e aos Estados Unidos. 

Para o PIG, o povo brasileiro não passa de uma massa amorfa, cujas principais características são popularescas, por isso nos descrevem em tom jocoso, usando uma técnica aprimorada para nos explicarem como iletrados, banais, folclóricos e (como eu ia deixar de lado essa palavra?) carnavalescos. Por isso, ao contrario de tentar entender o sucesso internacional do ex-Presidente Lula, foram oito anos tratando-o em tom de deboche. Quanto a atual Presidente Dilma Rousseff, o PIG não tem interesse em desvendar esse enigma, mas pode abusar da força para não ser devorado.

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