sábado, 22 de janeiro de 2011

Portugal: 25% dos bolsistas do ensino superior perdem o benefício


A notícia foi dada pelo site www.esquerda.net e apenas reflete o nível da crise econômica que vem se alastrando pelos países centro europeus no período pós-crise, deflagrada em 2009. As universidades européias estão sofrendo por causa dos parcos recursos que lhes são destinados, mas que, fatalmente são os estudantes que mais sentem as consequências dessa política. 
Há dois anos tive uma sensação de déja-vu quando li num site que a França acenava com a possibilidade de redução de investimentos no ensino superior e ameaçava a sociedade com a privatização. Em fins do ano passado, a Itália e o Reino Unido enfrentaram protestos de estudantes por seguir a mesma linha. Agora é Portugal que anuncia o corte em 25% nas bolsas de estudos. Por que minha sensação de déja-vu? Porque a maioria de nós, não-europeus – latino-americanos, sul-americanos e africanos – conhecemos a realidade que os estudantes europeus agora começam a sentir na pele. 

 Adieu aux jours de gloire...

 
Além da Itália, também houve protesto de estudantes em Londres

Aqui no Brasil, por exemplo, entre 1995 e 2002 um estudante do ensino superior da rede pública simplesmente não poderia prever se a instituição seria privatizada ou permaneceria pública até a conclusão de seu curso. Portanto, posso dizer que aquele foi um período de atraso para a educação pública superior no país, à época presidido por um Sociólogo que em 1968 chegara a lecionar na Universidade de Paris X.   

Por contradição a isto, foi durante o governo de um representante da camada popular, o ex-presidente Lula, que entre 2004 e 2010 a maioria da população brasileira, formada por pessoas pobres e até então excluídas do ensino superior, passou a frequentar universidades públicas e privadas. Instituições que foram aumentadas em número e em qualidade, exatamente por alguém que não pode frequentar qualquer curso superior, sequer numa instituição pública de ensino. 

Protesto de estudantes brasileiros na década de 1990

 
 O "apedeuta" Lula criou mais universidades que o "intelectual" FHC

  

Portugal: 1/4 dos bolseiros do ensino superior perdem apoio


Artigo | 22 Janeiro, 2011 - 13:46
http://www.esquerda.net/artigo/um-quarto-dos-bolseiros-do-ensino-superior-perdem-apoio 

Segundo dados já revelados por estabelecimentos do ensino superior, número de estudantes a usufruir de bolsa regista uma quebra de cerca de 25%. Valor da bolsa também sofre um corte significativo. Na Universidade do Porto, número de beneficiários diminui 30%.

Agora Portugal sente o gostinho de terceiro mundo

As novas regras de acesso aos apoios sociais tiveram consequências directas e dramáticas nas bolsas de acção social do ensino superior. Por causa das novas regras de cálculo do rendimento do agregado, do novo conceito de estudante economicamente carenciado e do novo conceito de agregado familiar, o número de estudantes a usufruir de bolsa de estudo irá registar uma quebra de cerca de 25%.

Apesar de nem todas as universidades terem concluído os processos de análise de candidaturas, segundo os dados já divulgados, o número de estudantes a perder o apoio a nível nacional ultrapassará os 15 mil, podendo, inclusive, chegar aos 20 mil. 

O valor das bolsas também irá registar uma diminuição acentuada. Na Universidade do Minho, este ano lectivo foram atribuídas menos 1370 bolsas, o que equivale a uma quebra de 25%. O valor das bolsas atribuídas diminui cerca de 26€.

Na Universidade do Porto, o decréscimo do número de beneficiários de bolsas de acção social atinge os 30%, sendo que ainda só foram analisadas metade das candidaturas. O valor da bolsa baixou cerca de 15%. No Instituto Politécnico do Porto a quebra do valor da bolsa foi idêntica, mas o número de beneficiários registou um decréscimo ainda maior: 40%. 

O indeferimento dos processos de candidatura tem sido justificado essencialmente devido ao excesso de rendimentos do agregado face à nova fórmula de cálculo introduzida pelo Programa de Estabilidade e Crescimento. 

Os representantes estudantis têm vindo a exigir a renegociação das normas técnicas introduzidas, alertando para o facto da diminuição do número de beneficiários de bolsas de acção social e a diminuição do próprio valor das bolsas atribuídas comprometerem, inclusive, a continuidade dos estudos dos estudantes abrangidos pelos cortes.

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