quarta-feira, 30 de março de 2011

A nova Abu Ghraib?

É impressionante como muita gente ainda acredita que os Estados Unidos são o que há de mais avançado na Democracia e nos Direitos Humanos! Só alguém muito mal-informado ou simplesmente alienado para defender uma tese hipócrita dessas. O fato é que eles usam o discurso "humanitário" como instrumento de poder para infiltrar agentes, vender armas, dividir países e saquear poços de petróleo acobertados pela resoluções da ONU. 

A matéria abaixo é uma nova denúncia do uso do Direito Penal do Inimigo na prática. Para quem não sabe o que é isso, posso resumir: em nome da guerra ao Terrorismo, usa-se da força bruta máxima contra todos aqueles que são - digamos, aos olhos dos EUA - seus inimigos em potencial. Ou seja, os EUA entram com a faca e - neste caso específico - os afeganistãos entram com o pescoço.

Confesso que ainda cheguei a ver cinco das dezoito fotos que foram veiculadas na matéria da Revista Rolling Stones, mas desisti de continuar porque são incrivelmente chocantes: aliás, cruéis, desumanas. Tudo ao contrário do que prega o asséptico discurso de "defesa dos direitos humanos na Líbia". Eu sequer teria coragem de usar uma ou duas dessas fotos para ilustrar esta postagem.

Respeito muito as ideias divergentes, mas não posso dizer o mesmo das argumentações empobrecidas daqueles que se pautam apenas no discurso midiático. Posso dizer mesmo que há pessoas ignorantes da verdade por trás dos fatos, talvez porque não lhes interesse conhecer profundamente o que se passa. É provável que se sintam mais confortáveis assim... Para mim, que sou uma pessoa crítica, reconheço que há pessoas que não têm um pingo de vontade de se serem críticas. E são exatamente elas que repetem frases como "por que no te callas?” sem realmente entender o que isto significa; ou que não se esforçam para compreender seus preconceitos em relação às leis muçulmanas, por exemplo; ou ainda sentem medo da "ameaça comunista chinesa". 

Pois eu convido as pessoas que não têm um pingo de vontade de serem críticas a ler a matéria abaixo. É provável que, no auge de seu deleite de ignorância elas baixem as imagens, imprimam, preguem essas fotos na parede do quarto, convivam com elas. Que sintam orgulho de certos países que mentem, enganam, que têm um Nobel da Paz que vende armas. Que, enfim, se sintam completas em sua ignorância e que saibam o que estão alimentando. Vejam o resultado de sua ajuda à Humanidade! 

 São esses os caras que defendem os Direitos Humanos? Estamos perdidos!


Redação Carta Capital
29 de março de 2011 às 18:31h
http://www.cartacapital.com.br/destaques_carta_capital/a-nova-abu-ghraib

Imagens reveladas pela Der Spiegel e pela Rolling Stone mostram soldados americanos sorrindo ao lado de vítimas civis e exibindo-as como troféus

“O plano era matar pessoas, senhor”. A frase foi dita pelo soldado Jeremy Morlock no início de seu julgamento pelo assassinato de três civis afegãos em de 2010. Morlock foi condenado, na última semana, em corte marcial a 24 anos de prisão após concordar em testemunhar contra outros envolvidos no caso de mortes de civis na província de Kandahar, Afeganistão. Militares do 3º Pelotão da Companhia Bravo supostamente compunham o chamado kill team (equipe da morte), denunciados pela revista alemã Der Spiegel na última semana. O veículo publicou três fotos em que soldados norteamericanos posam sorrindo ao lado de corpos de afegãos mortos, como se fossem troféus de guerra. No último domingo 27, a revista Rolling Stone publicou em seu site outras de 15 fotografias e a reportagem “Kill team: como soldados americanos no Afeganistão assassinaram civis inocentes e mutilaram seus corpos – e como seus oficias falharam em pará-los”.


O teor das imagens foi rapidamente comparado ao escândalo da prisão iraquiana de Abu Ghraib. A própria Rolling Stones afirma que o exército dos EUA esforçou-se para manter as fotografias em segredo, buscando militares e familiares que as tinham salvo em seus computadores e confiscando-as. O Coronel Thomas Collins, do exército norteamericano, desculpou-se pelo sofrimento causado pelas fotografias da Der Spiegel. Elas “são repugnantes para nós enquanto seres humanos e contrárias aos procedimentos e valores dos Estados Unidos”. Collins é o responsável pela preparação das cortes marciais dos outros envolvidos no kill team. Com a reportagem da Rolling Stone, um novo pedido de desculpas, que prometeu uma busca “implacável” pela verdade, foi emitido.

Tensão entre governos

Líderes da coalizão da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) comandada pelos EUA no Afeganistão temem que as imagens aumentem a tensão com o governo de Cabul. “Apesar do declínio do número de vítimas civis causadas pelas forças da OTAN, o episódio abalou a reputação da coalizão e colocou o presidente Hamid Karzai na estranha posição de ter de explicar porque os aliados de seu país estão matando crianças e mulheres”, escreveu o The New York Times um dia após as primeiras imagens virem a público. A Der Spiegel escreveu, no dia 21, que o vicepresidente Joe Biden falou com Karzai sobre a situação e que o comandante de todas as tropas da OTAN no Afeganistão, general David Petraus, encontrou-se pessoalmente com presidente afegão. “As imagens têm um enorme potencial aqui no Afeganistão. Nossa experiência mostra que talvez demore alguns dias, mas a raiva da população ficará evidente”, disse à Der Spiegel um general da OTAN.

Gul Mudin

A reportagem da Rolling Stone descreve o assassinato de um adolescente de 15 anos chamado Gul Mudin. O garoto, que estava nas imediações da vila La Mohamad Kalay, foi surpreendido pelos soldados Jeremy Morlock e Andrew Holmes. Os militares então jogaram uma granada na direção de Mudin e abriram fogo. “Quando um sargento perguntou aos soldados o que tinha acontecido, Morlock disse que o garoto estava prestes a atacá-los com uma granada”, descreve a Rolling Stone. Durante seu julgamento em corte marcial, Jeremy Morlock confessou: “ele não era uma ameaça”. O dedo mindinho de Mudin foi cortado e guardado como troféu de guerra.

A revista diz ainda que nos meses seguintes ao assassinato outros quatro civis foram mortos. Em um dos casos, para simular um ataque, os norteamericanos puseram ao lado do corpo um fuzil Kalashnikov. Os editores das duas revistas não revelaram como tiveram acesso às fotos.

Um comentário:

Anônimo disse...

Oi é a 3ª vez que li a tua página e reflecti imenso!Bom Trabalho!
Cumps