quarta-feira, 20 de abril de 2011

Angelina Jolie e diretor do ACNUR chocados com tragédia no Mediterrâneo


Não sei quanto a vocês, mas quando vejo a atriz Angelina Jolie atuando em duas frentes tão díspares eu me lembro de um filme chamado "A Dupla Vida de Veronique" (Krzysztof Kieslowski - 1991). Claro que a história do filme não tem nada a ver com sua história biográfica, ainda que -  por mera coincidência -  ela também tenha um lado francês como a personagem do filme, Veronique. 

"A Dupla Vida de Veronique" é um filme sensível, até enigmático, sobre duas mulheres diferentes que -  representadas por uma única atriz - nos deixa a impressão sobrenatural de que são uma só pessoa.  Vi esse filme quando foi lançado no Brasil e o achei encantador, ainda que seu conteúdo metafísico tenha me deixado atordoada durante muito tempo.  

Pois todas as vezes que vejo a Angelina Jolie em dois papéis sociais tão diferentes, eu tenho a mesma impressão de atordoamento: não sei como a ela consegue trabalhar em empreendimentos patrocinadaos pela indústria de armas (ah, vai me dizer que você não sabia de onde certos filmes arranjam dinheiro para serem produzidos?) e, ao mesmo tempo, representar a Embaixadora do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, ACNUR, dando visibilidade a pessoas que tiveram suas vidas destroçadas pelas guerras civis e, inclusive, pelas armas. 

Num desses papéis ela aparece bancando a mulher ocidental do mundo democrático, femme fatale que porta seu revólver dentro da bolsa e tem um passado obscuro e um futuro heróico. No outro ela aparece sendo fotografada ao lado de refugiados, gente sem pátria, documentos, direitos civis ou políticos, longe dos cônjuges, dos filhos, dos pais, dos amigos... que vivem a eterna incógnita de não ter ideia de para onde irão amanhã. 

No filme "A Dupla Vida de Veronique" existe uma personagem ficcional que parece uma pessoa real. Por outro lado, existe a Angelina Jolie: uma pessoa real que em tudo se parece com uma personagem da ficção.

Particularmente, quando vejo a Angelina Jolie naquelas fotos do ACNUR, fico pensando se a sua imagem está ajudando realmente àquelas pessoas. Em quê. Espero que, assim como acontece no filme à personagem Veronique, a atriz Angelina  também encontre um sentido - afetivo, político, místico - para sua experiência humana. E que, pelo menos, ajude as pessoas às quais se propõe dar visibilidade a encontrar também um sentido para acreditar na vida. Enfim, espero que esta atuação da atriz Angelina Jolie não passe de uma mera ficção.



Angelina Jolie embaixadora do Alto Comissariado da ONU para Refugiados

 Angelina Jolie atuando em filmes patrocinados pela indústria de armas  


UNIC Rio
6 de abril de 2011
GENEBRA, 06 de abril (ACNUR) – O Alto Comissário da ONU para Refugiados, António Guterres, e a Embaixadora de Boa Vontade do ACNUR, Angelina Jolie, afirmaram, nesta quarta-feira, estar chocados com o afogamento de 213 pessoas a 60 quilômetros da costa sul da Itália.

De acordo com sobreviventes, o grupo, que incluía somalis, eritreus e marfinenses, partiu da Líbia há três dias em uma tentativa de chegar à ilha italiana de Lampedusa, no Mediterrâneo. Disseram ao ACNUR que várias mulheres e três crianças estavam entre as 213 pessoas que teriam se afogado quando a embarcação afundou na quarta-feira. A guarda costeira italiana resgatou 47 pessoas, incluindo duas mulheres, uma delas grávida.

“Estas pessoas viveram uma dupla situação de refúgio”, disse Guterres. “Elas escaparam da guerra e perseguição em seus próprios países e agora, na tentativa de encontrar segurança na Itália, perderam suas vidas tragicamente”.

Para Guterres, o ocorrido é particularmente inquietante no atual momento, em que o ACNUR e outras organizações oferecem assistência humanitária e proteção internacional a pessoas que fogem atravessando as fronteiras da Líbia. “Eu peço a todos aqueles que patrulham o Mar do Mediterrâneo que façam o possível para ajudar as embarcações que se encontram em situação de risco”.

A Embaixadora de Boa Vontade, Angelina Jolie, que concluiu hoje uma viagem de dois dias à Tunísia, demonstrou tristeza. “Acabei de passar algum tempo com famílias como estas, que fugiam da violência na Líbia, e estou profundamente entristecida pela grande perda de vidas de pessoas que estavam simplesmente tentando escapar da violência e encontrar refúgio. É ainda mais devastador saber que havia crianças a bordo”.

Jolie, que visitou a Tunísia na fronteira com a Líbia, adicionou “É urgentemente necessário encontrar meios que garantam a saída segura da Líbia aos milhares de civis que estão em meio ao fogo cruzado”.

A Líbia tem sido tradicionalmente um país de transito e destino para refugiados. O ACNUR reconheceu oito mil refugiados palestinos, iraquianos, sudaneses, etíopes, somalis e eritreus dentro da Líbia. Outros três mil estão solicitando refúgio. Estima-se também que milhares de outros refugiados, que não tiveram acesso ao escritório do ACNUR em Trípoli, estejam no país.

Pessoas originárias da África Subsaariana encontram-se especialmente em risco já que estão sendo associadas com mercenários estrangeiros. Muitos estão tomando medidas desesperadas para escapar.

Um comentário:

Anônimo disse...

Interesting information to my mind. Thanks for posting that info.

Greg Craudfield
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