domingo, 10 de abril de 2011

Um mesmo crime, dois lugares diferentes


Não é a primeira vez que acontece na Europa, nem nos Estados Unidos.  Já aconteceu no Japão e também na China. Aqui no Brasil, em casos isolados, também já se passou o mesmo. Um homem com problemas pessoais (geralmente psicológicos, morais ou afetivos) entra em local público e promove um massacre, depois se suicida. No Brasil esse tipo de crime tem sido incomum, mas não sei até quando. Tenho ouvido e lido as pessoas falarem em diversas motivações para um assassino sempre agir assim, causadas por problemas de convivência social: assédio sexual, exclusão social, bullying... Particularmente, além dessas eu acredito em outras hipóteses, mais abrangentes.

Não é necessário ter vivenciado um dia sair do país para compreender o que vou escrever agora, mas certamente quem já o fez, saberá do que estou falando. O brasileiro é um ser cosmopolita. É como se toda a nossa diversidade transbordasse em características que fogem ao nosso controle e vivemos muito bem assim, onde quer que estejamos e das mais diferentes formas. Por mais arraigados que alguns de nós seja em relação aos nossos costumes locais nacionais, o fato é que, onde quer que cada um de nós vá, nos adaptamos e adaptamos a realidade a nossa cultura. Não temos interese em ser xenófobos.

Pois é, nossa tamanha proximidade com os valores multiculturais tem dois lados e, a meu ver, o mais favorável e rico deles sempre predomina. Todavia, o outro lado - que favorece a recepção de hábitos culturais alienígenas sem o menor filtro crítico - esse é extremamente danoso. Acho que estou vendo isso cada vez mais consolidado no país. Mas é impossível criar uma barreira cultural que deixe passar os hábitos maravilhosos que vemos nas pessoas mundo afora e que, ao mesmo tempo, nos impeça de receber os costumes perigosos, ou mesmo alguns até que nem entendemos porque existem.

Como fonte de propagação desses hábitos humanos multiculturais mais perigosos, para melhor dizer degradantes, tenho visto que eles se propagam a todo o tempo, em todos os lugares, nos veículos os quais mais temos cotidianamente contato: na televisão, no cinema, na internet com seus jogos de extrema violência. Onde não apenas a violência física é mostrada, mas a violência simbólica, contra o próprio ser Humano. Estamos vivendo imersos em práticas culturais globais de degradação da pessoa humana que se chocam frontalmente com todas as teses de defesa da dignidade humana. 

As pessoas não se incomodam de assistir a jogos (porque não passam disso) como o Big Brother, em que a atuação em grupo é uma desculpa para o exagerado hedonismo individualista que prevalece no final - com um ganhador que leva uma alta quantia em dinheiro. Ou coisas mais comuns ainda, como os filmes que mostram jogos inteligentes - na maioria das vezes não - e que, na verdade, não passam de vitrines para a venda de armas, ou para as crueldades inimagináveis humanas, que são verdadeiros "jogos mortais". Ou o pior: jogos eletrônicos de extrema violência que se pode baixar pela net em casa ou em lan houses e que se pode matar (jogando) outro ser humano onde quer que ele esteja. Mas há um detalhe chocante aí: esses jogos não servem para nos enriquecer, nem divertir. Eles enriquecem a outros, inclusive a grandes donos de empresas, e nem servem para nos divertir na concepção humanista da palavra. 

Eu sei que nós, que formamos o povo brasileiro, somos multiculturais originalmente e esta é uma característica marcante e benéfica. Todavia, a aceitação de certos hábitos alienígenas deve ser visto com análise e reserva, em muitos casos. Programações culturais que não nos interessam, que são degradantes, desumanas, ainda que aparentemente curiosas, é sobre elas que devemos lançar nosso olhar crítico. Ou seremos nós e nossas próximas gerações que pagaremos pelo nosso descompromisso. Devemos ter a responsabilidade social e cultural de acreditar que, em parte fazemos parte de uma grande aldeia global, mas que quem cuida no nosso jardim somos nós. E somos nós mesmo quem devemos cuidar dele.

Doze crianças mortas no Rio de Janeiro 

Em carta, atirador fala em perdão de Deus; 12 alunos morreram

07/04/2011 - 16h01
http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/899597-em-carta-atirador-fala-em-perdao-de-deus-12-alunos-morreram.shtml

Um rapaz de 23 anos entrou na manhã desta quinta-feira na escola municipal Tasso da Silveira, em Realengo (zona oeste do Rio), e disparou diversos tiros contra os alunos. Dez meninas e dois meninos morreram. O atirador, baleado pela polícia, cometeu suicídio em seguida. Em carta, o criminoso fala em "perdão de Deus".

Wellington Menezes de Oliveira é ex-aluno da escola, mas a motivação do crime ainda é investigada. Na carta, ele diz que quer ser enterrado ao lado de sua mãe. O rapaz também pede que a casa onde morava --em Sepetiba, na zona oeste da cidade-- seja doada a instituições que cuidam de animais. A carta foi encaminhada à Polícia Civil para análise.O crime ocorreu por volta das 8h, e a ação foi rápida. Segundo a polícia, durou cerca de cinco minutos. 

A polícia informou que Oliveira entrou na escola dizendo que daria uma palestra. O rapaz conversou com algumas pessoas, mas, depois, seguiu em direção às salas de aulas e atirou contra os estudantes. Ferido, um garoto conseguiu fugir e chamou um policial militar que estava na região. O PM trocou tiros com o criminoso, que foi atingido. Em seguida, segundo a polícia, ele atirou contra a própria cabeça.

De acordo com a polícia, o atirador usou dois revólveres e tinha muita munição.Ao menos 13 pessoas ficaram feridas. Várias das crianças foram levadas de helicópteros do Corpo de Bombeiros para  o hospital Albert Schweitzer e demais unidades de emergência do Rio, como o hospital Souza Aguiar, no centro.A escola atende estudantes com idades entre 9 a 14 anos --da 4ª a 9ª série, segundo a Secretaria Municipal da Educação. São 999 alunos, sendo 400 no período da manhã.Após o crime, foi grande a movimentação de pessoas ao redor da escola. Muitos pais buscavam informações sobre os filhos.O crime teve repercussão internacional. A presidente Dilma Rousseff chorou e pediu um minuto de silêncio por alunos mortos.



Seis mortos em shopping center na Holanda

Holanda de luto por massacre em centro comercial
HAIA — A Holanda amanheceu de luto neste domingo, um dia depois da matança em um centro comercial da cidade de Alphen aan den Rijn, no oeste do país, onde um jovem de 24 anos entrou atirando a esmo, assassinando seis pessoas antes de cometer suicídio.

"Alphen aan den Rijn jamais será como antes"; "Por que? Estamos incrédulos e comovidos"; "A Holanda perdeu sua inocência": as cerca de 5.400 mensagens deixadas em um livro de condolências aberto na internet pela prefeitura da cidade traumatizada não deixam dúvida sobre o estado de espírito dos holandeses.

No começo da tarde de sábado, Tristan van der Vlis entrou no centro comercial De Ridderhof, perto de sua casa.

O dia estava ensolarado e muitas famílias passeavam e faziam compras. Durante cerca de 20 minutos, o jovem percorreu os corredores do centro sem pressa, disparando com uma arma automática contra clientes e lojistas, antes de cometer suicídio.

Um dia depois, sua atitude ainda não tem explicação. Em uma carta deixada para os pais, revelada durante a noite, Tristan expressa sua vontade de tirar a própria vida, embora nada deixasse entrever que ele pretendia realizar um massacre tão brutal.

A maioria dos veículos de comunicação do país destacam neste domingo o caráter "não holandês" da matança, lembrando que este tipo de tiroteio é mais frequente em outros países, como os Estados Unidos.

"Isso pode acontecer em qualquer lugar", afirmou Eelco Dykstra, especialista em gestão de crises, em entrevista à televisão pública NOS. Para ele, se comparados os números de massacres em termos de território, a Europa como um todo registra ainda mais casos que os Estados Unidos.

Tristan, que era membro de um clube de tiro e possuía licença de porte de armas, já havia tido problemas com a polícia em 2003 em um episódio relacionado à lei de armas e munições do país. O caso acabou arquivado.

O centro comercial De Ridderhof continua fechado e isolado neste domingo. Outros três shoppings da cidade de Alphen an den Rijn, foram evacuados após a descoberta da carta de um jovem de 17 anos de Rotterdam, já detido pela polícia, que anunciou sua intenção de perpetuar massacre semelhante.

Várias missas em memória das vítimas estão programadas em Alphen aan den Rijn e em outras cidades da Holanda. Na cidade que presenciou o massacre, uma vigília silenciosa foi organizada em frente ao centro comercial.
  

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