sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Após polêmica, propaganda de Gisele Bundchen pode ser suspensa


Sempre que eu leio o jornal, atualmente muito mais pela internet do que o escrito, há pelo menos dois casos de violência doméstica contra mulheres e crianças, cada um mais grave e horripilante que o outro. Inclusive, há casos de violência doméstica de brasileiro contra brasileira no exterior -, muios desses casos fatalmente culminam em morte.

Tiro minhas conclusões: o povo brasileiro é machista. Aí faço minha  crítica  às  próprias mulheres que - não sei se por inocência ou desconhecimento das leis da lógica - defendem aspectos da cultura machistas no dia-a-dia  ainda que por fim acabem sendo suas maiores vítimas. 

Esse comercial da Hope é de um machismo velado, que apesar de  charmoso e inteligente, é machista. Puseram a Gisele Bündchen como escudo para esconder um discurso ultrapassado, cuja realidade  já não é mais essa da mulher dependente do dinheiro ou do carro do marido, como deixa antever o comercial. A própria Gisele serve de modelo para o que estou falando. 

A socideade brasileira tem que parar com essa ideia de que não há nada de mal em certos comentários, em algumas atitudes, em determinados comportamentos culturais e que criticá-los é uma aberração.

Num país governado por uma mulher, a Secretaria de Políticas para Mulheres (SPM) tem que ficar  mesmo atenta - não apenas nesse comercial cujo tom de brincadeira  serve para amenizar  a mensagem subliminar - mas sobretudo que fique de olho nesses programas cuja mensagem é explícita, que trazem a mulher como fruta, como dançarinas acusadas de prostituição, como objeto  sexual que agrega valor aos mais diversos produtos...

Enfim, que a SPM se empenhe a reduzir os números desta estatística alarmante de casos de violência doméstica no país, cujas mulheres e crianças são vítimas de seus namorados, maridos, parentes e amigos mais próximos, em geral homens em quem as mulheres deviam confiar. 

Eu sei que, ao lerem isso, muitas mulheres vão pensar: "retirar do ar um comercial que ao final ainda incentiva as mulheres a usarem como arma a sensualidade,... ah, que exagero!" mas espero que essas mesmas pessoas possam fazer uma conexão lógica entre esse tipo de comportamento que o comercial esconde e os crescentes casos de estupro, morte e abuso que se sofre dentro de casa. E que nenhuma delas possa cair nessa armadilha que podem estar ajudando a fabricar. 

Também sei que muitas  de nós detesta o discurso "feminista" por ser contundente  e temem que isso afaste os homens... Quer dizer, pode mesmo afastar aqueles caras que acham essea ideia de respeito às diferenças um negócio muito "chato"... Mas por favor mulheres, aqui faço meu apelo: tomem o cuidado para não abraçarem a causa "machista" porque essa não nos favorece em nada. Muito pelo contrário!  


A Hope acha que é assim que resolveremos os problemas domésticos...

Publicação: 30/09/2011 11:15
http://www.dnonline.com.br/app/noticia/divirta-se/2011/09/30/interna_divirtase,82107/apos-polemica-propaganda-de-gisele-bundchen-pode-ser-suspensa.shtml

 
Para aumentar ainda mais a polêmica sobre a campanha da modelo Gisele Bündchen, a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM)divulgou artigo da coordenadora nacional do Comitê Latino-Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher, Carmen Hein de Campos.

O título começa provocativo: "Propaganda de mau gosto". Leia na íntegra:
A propaganda brasileira precisa mudar. As agências de publicidade responsáveis pela elaboração de propagandas precisam amadurecer e aprender a respeitar as mulheres. As supostas "brincadeiras" publicitárias que utilizam o corpo feminino para vender produtos, como na recente propaganda da Hope, reforçam estereótipos de que as mulheres brasileiras são tão infantis que precisam ser "ensinadas" a lidar com questões cotidianas desagradáveis e a forma de lidar com isso é "tirando a roupa".

A mesmice ofensiva da propaganda brasileira às mulheres recentemente recebeu repúdio internacional. A agência brasileira Moma, que ganhou o Leão de Prata em Cannes(30/06) com uma propaganda sobre o ar condicionado dual zone de automóveis fabricados pela Kia Motors foi considerada pedófila por profissionais do ramo e veículos de comunicação estrangeiros.

Na propaganda, em que duas peças criadas são colocadas lado a lado, há um diálogo entre um professor e uma aluna, aparentemente cursando o ensino fundamental. "Professor, obrigada por ficar até mais tarde comigo hoje", diz a garota. Na outra peça, a menina dá lugar a uma garota mais velha e atraente e o professor, folgando a gravata, responde: "Que isso...é um prazer". Após a garotinha oferecer uma maçã, o professor (na primeira peça) morde a fruta exclamando "hmmm...que delícia...como é suculenta".

A propaganda termina com o professor sugerindo começarem a lição, enquanto do lado direito a mulher diz "que tal...anatomia?". A reação à peça publicitária foi tão forte que a Kia Motors distribuiu nota dizendo que a propaganda não seria veiculada porque não expressava a opinião da Kia Motors. Críticos disseram que a propaganda só venceu porque o júri era formado exclusivamente por homens.

Na sexista propaganda da Hope uma mulher infantilizada e dependente (representada por Gisele Bundchen) é "ensinada" que, para tratar com marido sobre o fato de ter batido o carro, ou excedido o cartão de crédito, a melhor forma é ficar de calcinha e sutiã.

A agência de publicidade Giovanni+Draftfcb talvez não esteja informada que as mulheres representam hoje mais de 30% das chefias de famílias, são trabalhadoras, profissionais liberais, empresárias e servidoras públicas, etc, que pagam suas contas, criam seus filhos e têm estabelecido relações domésticas cada vez mais igualitárias e solidárias com seus companheiros.

Retirar do ar a propaganda é uma demonstração de respeito às mulheres e reconhecimento que mais não suportamos ser tratadas como objetos ou estereotipadas em comerciais. As mulheres brasileiras elegeram a primeira presidenta do país, que fez história ao abrir, pela primeira vez, uma reunião das Nações Unidas discursando sobre a igualdade de gênero e questões sérias vivenciadas pelos povos no mundo.

As agências publicitárias precisam crescer e aprender com o exemplo de maturidade e cidadania que as mulheres brasileiras vêm oferecendo ao país. E tudo isso, sem precisar tirar a roupa como pretende "ensinar" a Hope.

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