sábado, 31 de dezembro de 2011

Euro: 10 anos depois, o sonho virou pesadelo

 Primeiro o Euro, depois a Comunidade Europeia...


Passou uma década e a euforia se converteu em um problema e, sobretudo, mais além da crise da dívida que atinge os países da União Europeia, dentre os quais estão os 17 da zona euro, em sinônimo de carestia da vida. A conversão das moedas nacionais para o euro provocou um aumento considerável de preços, começando pelo dos alimentos. O euro é hoje uma Europa ligada por uma moeda comum, mas sem a alma dos povos. O artigo é de Eduardo Febbro.

A euforia inicial dos últimos dias de dezembro de 2001 é a lembrança de uma ilusão cara. No dia 31 de dezembro de 2001, Paris, assim como as outras capitais europeias onde no dia seguinte começaria a circular o euro, viveu uma corrida consumista que os comerciantes ainda têm na memória. A moeda nacional, o franco francês, deixava de circular quando batessem as doze badaladas da meia-noite e era preciso se livrar dos francos a qualquer custo: filas nos bancos e uma frenética busca de algum objeto para comprar e liquidar os ilustres francos. Um livreiro da rua Monge ainda lembra com assombro aquela data: “nuca tinha vendido tantos livros, de todos os tipos.

Com esse frenesi para se livrar do franco, em papel e moeda, as pessoas compravam a primeira coisa que aparecia. Passou uma década e a euforia se converteu em um problema e, sobretudo, mais além da crise da dívida que atinge os países da União Europeia, dentre os quais estão os 17 da zona euro, em sinônimo de carestia da vida. Apesar de os organismos que medem a inflação assegurarem que a percepção dos franceses de que o euro empurrou os preços para cima “está desconectada da realidade” (INSEE, Instituto Nacional de Estatístiscas e Estudos Econômicos), a realidade dos consumidores não é a das estatísticas.

A conversão das moedas nacionais para o euro provocou um aumento considerável de preços, começando pelo dos alimentos. O euro passou a representar também um monte de coisas negativas: moeda da desigualdade que beneficia o setor financeiro, emblema da perda de soberania dos Estados, símbolo de uma desvalorização escondida e de uma inflação disfarçada, camisa de força das políticas monetárias dos países europeus e moeda emblemática das regras ditadas pelos tecnocratas da União Europeia.

Uma recente pesquisa de opinião realizada por Ipsos-Logica revelou que 35% dos franceses desejariam regressar para o franco francês e 45% acham que o euro é uma trava para a economia francesa. O economista Philippe Moati observou, nas colunas do jornal Le Monde, que “as pessoas buscam uma explicação para seu desconforto, então, nesse contexto, como o euro está ligado aos temas da globalização, a moeda única cristaliza a angústia”. A história do euro, porém, começou em meio a uma imensa algazarra. Exatamente dez anos depois de ter sido adotado em dezembro de 1991 o polêmico Tratado de Maastricht, da União Europeia, que fixava o calendário e as modalidades da moeda única europeia, o euro se converteu em uma entidade monetária tangível.

Ao cabo de dez anos de polêmicas, referendos e temores de todo tipo, no dia 14 de dezembro de 2001 as primeiras moedas “reais” do euro começaram a circular na França. Uma multidão de curiosos fez fila nos bancos para conseguir o “pacote mágico” que continha as primeiras 40 moedas da unidade monetária que, duas semanas mais tarde, ia substituir o franco. Alguns franceses se mostravam entusiastas, outros tinham um aperto no coração diante da tangível perspectiva de serem atores da desaparição do franco.

Os meios oficiais, as pesquisas de opinião e toda a orquestra do sistema tinham lançado uma ampla campanha de conscientização. Não faltaram sequer as indefectíveis análises sociais que estabeleciam um corte geracional entre a juventude europeísta e adepta do euro, e as gerações de mais idade, hostis ao euro e nostálgicas do franco. Jovens modernos e “euromonetarizados” contra velhos retrógados e imobilistas. O que caiu entre 2001 e 2011 foi precisamente essa ilusão: os jovens de então estão hoje na casa dos 30 anos e são os que pagam mais alto o preço da crise e dos consequentes preços exorbitantes. O kit do sonho foi se tornando um pesadelo.

A revista Que choisir fez uma rigorosa comparação dos preços de antes e depois do euro: uma baguete de pão custava 4 francos e 39 centavos. Hoje custa 85 centavos de euro, o que equivale a um aumento de 27%. Um café custava 4,98 francos e agora custa 1,10 euros, ou seja, uma alta de 45%. Na mesma perspectiva, um quilo de batatas aumentou 65%, o quilo de galinha 47% e uma garrafa de azeite 43%. Um dado ao mesmo tempo cômico e dramático dá conta do que significa pensar e pagar em euros. Antes, as pessoas que pediam esmola na rua solicitavam “um franco”. Neste 2011-2012, a esmola solicitada é “um euro por favor”, ou seja, o equivalente a quase sete francos de 2001.

O mais paradoxal do mundo visto através da temática do euro reside no fato de que existe um hiato intransponível entre o que as pessoas percebem, entre sua situação econômica, e as estatísticas oficiais. Enquanto os primeiros sentem com força a crise e o aumento de preços, os segundos apresentam estatísticas e curvas para provar que, ao contrário, com o euro os índices não fizeram senão melhorar. Nem todos parecem comprar no mesmo mercado, nem levar em conta os mesmos parâmetros.

Estas contradições explodem no céu europeu no momento em que a união monetária atravessa uma crise sem precedentes. O terremoto teve sua escala amplificada com três componentes: o colapso financeiro de 2007, o enredo desencadeado pela Grécia e suas contas maquiadas, e o sobreendividamento dos Estados. O panorama tornou-se ainda mais complicado com a guerra pela liderança europeia, a guerra de guerrilhas entre as diferentes opções e o antagonismo duro entre os Estados, a opinião pública e as instituições europeias.

Há dez anos, quando saiu o eruo, a Europa entrou em uma fase de fanfarronices de toda índole: a moeda comum a 300 milhões de pessoas tinha a missão de fazer da União um polo capaz de liquidar a influência do Rei Dólar e o poderio norteamericano. Mas no caminho surgiram um par de crises violentas e outros atores que modificaram as expectativas. O euro simboliza coisas boas e outras muito más. Entre as piores está o fato de que sob seu signo se estreitaram os laços financeiros, os mercados se favoreceram, os tecnocratas encontraram um terreno de ação ideal e as transações se tornaram mais simples para os cidadãos. Mas, no meio desse processo outra união acabou nas sombras, não a monetária, mas aquela que devia dar um sentido à convivência sob normas e uma moeda comum a tantas sociedades díspares. O euro é uma Europa ligada por uma moeda comum, mas sem a alma dos povos.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

De Shakespeare para a Globo



Boa sorte, querida Titina!

20 de Dezembro de 2011
Yuno Silva - Repórter
http://tribunadonorte.com.br/noticia/de-shakespeare-para-a-globo/206399

Há quase vinte anos, a adolescente Izabel Cristina de Medeiros percebeu que não adiantava querer controlar o destino em seus mínimos detalhes. Acalentando o desejo de atuar como jornalista profissional, seus planos foram abalados logo na primeira ida ao teatro e desde então passou a cogitar outras formas de atuação: nos palcos, sob os holofotes das artes cênicas. Apesar do nome de batismo, ela já ganhou o mundo como Titina - apelido recebido da madrinha antes mesmo de nascer - e mais uma vez o destino bate à sua porta com um novo desafio.


Dona de grandes olhos verdes, sorriso largo e um ar de seriedade que deixa transparecer o alto nível de seu compromisso com a carreira, a atriz assinou ontem à tarde, no Rio de Janeiro, contrato com a TV Globo para trabalhar na próxima novela das sete em um papel de destaque. A previsão é que "Marias do Lar", título provisório do folhetim que irá substituir "Aquele Beijo", entre no ar em abril. "Tudo aconteceu muito rápido, chega a ser assustador. Mas estou tranquila, segura", disse Titina, 34, por telefone pouco depois de conhecer parte do elenco da novela.

"Foi bom reconhecer na equipe que vai estar comigo no estúdio um técnico de som que havia trabalhado comigo em 2003 e 2004 no quadro (do programa Fantástico) 'Brasil Total' quando fiz três programas falando aqui do RN", comemorou. Titina falou sobre a fabricação do doce chouriço, a encenação da Paixão de Cristo em Apodi e a pesca do siri em Ponta Negra.

Sobre a novela ela adiantou que "o personagem é muito bom, uma vilãzinha legal, engraçada e ingênua, mas não posso adiantar muita coisa". Nascida em Currais Novos por puro acaso, pois na época não faziam cirurgia de laqueadura em Acari, Titina Medeiros contou que tudo começou em abril deste ano, quando esteve no Paraná onde participou do Festival de Teatro de Curitiba com o grupo Clowns de Shakespeare encenando o premiado espetáculo "Sua Incelência, Ricardo III", onde interpreta a desbocada rainha Elizabeth. Nesses grandes festivais, sempre tem olheiros e produtores de elenco de plantão e o grupo acabou sendo convidado para, quando estivesse passando pelo RJ, visitar os estúdios da Globo. "Fiz vários testes desde setembro e calhou que gostaram de mim", lembrou a atriz, que preferiu não fazer alarde antes de formalizar sua participação.

Mas a informação 'vazou' e acabou indo parar em páginas eletrônicas especializadas em assuntos de televisão. "De repente comecei a receber mensagens parabenizando, e passei a me perguntar como é que ficaram sabendo. Até que um amigo me disse que tinha visto na internet. Não queria dizer nada, preferia que as pessoas me vissem pela televisão, mas não tinha mais como segurar".

Titina Medeiros vai gravar a novela entre janeiro e agosto do próximo ano, e até lá seus projetos com os Clowns de Shakespeare terão que ser readequados. O ator César Ferrario, companheiro da atriz e parceiro  no grupo, disse que houve um consenso de que o melhor a fazer neste momento é ensaiar com outra pessoa para substituir quando Titina não puder conciliar a agenda. "Teremos sim que pensar nessa substituição temporária, é uma coisa natural que acontece com qualquer grupo". A turnê pelo Chile de "Ricardo III" terá a presença de Titina, que na volta já desembarca no Rio de Janeiro.

"Vamos começar a ensaiar 'Hamlet' no segundo semestre como parte das comemorações dos 20 anos dos Clowns, e Titina está no projeto", adiantou César que falou em nome do grupo. Segundo ele, há propostas de fazer algumas apresentações de "Ricardo III" em São Paulo durante o Carnaval e a atriz já está vendo se consegue conciliar a agenda. Vista até pouco tempo como atriz convidada, Titina passou a integrar oficialmente o núcleo artístico do grupo a partir do mês de agosto.

É interessante notar a segurança que o fazer teatral em grupo proporciona a seus integrantes: "Fazemos um tipo de teatro que não prioriza o lado comercial, a intenção é pesquisar, experimentar, e estamos conseguindo reconhecimento a partir daqui de Natal", lembrou Ferrario, que prefere não se precipitar quando questionado sobre uma possível renovação de contrato entre Titina e a TV Globo. "É cedo para dizer qualquer coisa, o importante é que estamos todos muito felizes por ela".

HISTÓRICO

Em 1992, mesmo ano em que teve seu primeiro contato com o teatro quando assistiu a performance da atriz portuguesa Maria do Céu Guerra no espetáculo "Pranto de Maria Parda", Titina Medeiros estreou como uma fada na "A Bela Adormecida", dirigido por Jesiel Figueiredo.

Entre 1996 e 98 fez parte do Grupo Tambor de Teatro, de João Marcelino, com quem encenou "O Príncipe do Barro Branco" ao lado do ator Chico Villa, e "Brincadeira de Bolso" que ficou em temporada na Aliança Francesa. "A imagem que tenho de Titina é ela chegando com a prima Nara Kelly e eu disse: 'você não quer participar?' E ela entrou, e foi um momento lindo na minha vida - acredito que na dela também", disse Marcelino. "Acho bacana o fato dela estar na Globo, mas é interessante ter a noção de que é só mais um veículo de manifestação da arte do ator. Não é um prêmio, um troféu, não é o ponto máximo, Titina busca qualidade em qualquer lugar. O bacana é terem visto nela esse talento".

O diretor acredita que o fato também lança luz sobre a cidade, e Titina acaba se transformando em um farol para que as pessoas veja o teatro do Rio Grande do Norte com outros olhos. O Estado ganha outra dimensão, ganha divisas.

Depois do Tambor fez trabalhos avulsos, trabalhou em Autos e começou a participar de espetáculos do Clowns de Shakespeare a partir de 2003. Com o grupo fez "dos prazeres e dos pedaços", "Muito barulho por quase nada", "Roda Chico" e "Sua Incelência, Ricardo III". Nesse meio tempo também integrou o grupo Carmim, com o qual montou o espetáculo "Pobre de Marré". Em 2011, ainda encenou em Brasília e no Rio de janeiro a peça "A mulher revoltada", texto do jornalista Xico Sá com direção de Fernando Yamamoto.

Quanto aos planos para o futuro, Titina, que afirmou sentir-se em casa nos Clowns - "é minha segunda família, são meus amigos" -, disse que pretende investir em projetos para formação teatral em Acari. "Essa hora vai chegar, mas neste momento tenho que aproveitar a oportunidade", conclui.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

A Privataria Tucana: o livro mais esperado de 2011




Para fazer o downloads do livro PRIVATARIA TUCANA do jorlista Amaury Jr., aguarde 45 segundos seguindo a contagem regressiva no link abaixo:



A corja da Mídia Golpista escondeu do povo brasileiro o lançamento do livro do Amaury que revela a roubalheira dos Tucanos, tudo documentado. Que vergonha o comportamento do PIG. A blogosfera progressista deu um tremendo Olé na imprensa nacional. O livro Privataria Tucana se esgotou em menos de 48 horas. Sucesso absoluto!

Retirada das tropas dos EUA no Iraque aumenta influência do Irã, dizem analistas


 
O premiê iraquiano Nouri al-Maliki e o presidente americano Barack Obama 


REUTERS/Jonathan Ernst 
Taíssa Stivanin

http://www.portugues.rfi.fr/mundo/20111214-retirada-das-tropas-dos-eua-no-iraque-aumenta-influencia-do-ira-dizem-analistas

A retirada total das tropas americanas do Iraque, que ocorrerá até o final do mês segundo informações do presidente americano Barack Obama, pode aumentar a influência do Irã na região. Segundo especialistas, a presença americana representa uma segurança para os outros países do Golfo.


A retirada das tropas americanas, depois de nove anos, é um motivo de preocupação para as monarquias do Golfo que possuem diversos acordos de segurança com o país, estimam alguns analistas em entrevista à imprensa francesa. Para Abdel Aziz Sagr, diretor do centro de pesquisas do Golfo, o fim da presença americana no Iraque cria um vazio na região, e uma sensação de insegurança entre os aliados dos Estados Unidos. "Os americanos, por conta da sua capacidade militar, asseguravam a estabilidade da área", declara o especialista, que disse temer um  "aumento das atividades militares e de espionagem do Irã no Iraque."

Segundo ele, o Irã não representa uma ameaça direta para o Iraque, mas poderia utilizar o país como uma base para ameaçar os países do Golfo. Principalmente porque a Árabia Saudita e a Turquia não têm nenhuma influência no Irã. Para o analista do Kuwait, Sami al-Nisf, a retirada americana acontece em circunstâncias difíceis e o conflito na Síria deve ter consequências diretas no Iraque. De acordo com ele, os Estados Unidos deveriam ter mantido algumas tropas no país, como fez depois da Segunda Guerra Mundial, na Alemanha e no Japão.

Outro aspecto importante, segundo ele, é que o Irã está perdendo seu aliado sírio, já que o regime de Bachar al-Assad está ameçado pelo movimento de contestação iniciado em março. A proximidade ideológica entre o governo iraquiano, formado na sua maioria por representantes xiitas, e o Irã, também facilita a aproximação entre os dois países.

Iraque defende regime sírio

Na segunda-feira, durante sua visita nos Estados Unidos, o primeiro-ministro iraquiano Nouri al-Maliki disse é contra a saída de Bachar al-Assad do governo, como defendem os americanos. A tensão entre o Irã e os países árabes do Golfo aumentou depois da chegada em Bahrein de uma força regional de apoio à monarquia sunita, com o objetivo de reprimir o movimento de contestação dos xiitas, que são maioria no país.

As forças armadas americanas anunciaram a retirada total das tropas do Iraque até o final de 2011. Apenas 157 militares devem continuar no país e 73 civis que vão treinar as forças iraquianas. Mas o próprio comandante encarregado das tropas americanas no Iraque, Robert Caslen, admite que os iraquianos não estão preparados para a transição. Segundo o chefe das forças iraquianas, Babaker Zebari, o país é incapaz de executar suas próprias missões de defesa externa até meados de  2024.